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OFICINA ♥ quem não sabe é como quem não vê

    
Quem não sabe é como quem não vê. E quando a Taraita não sabe, não vê. Não há nada como testar as grandes ideias em pequenas peças. Fomos num instante, que ninguém deu pela nossa falta na oficina, à loja mais perto e encontramos esta cadeira tosca e não hesitamos. Testamos e não é que se vê...

... hoje chega toda a tinta encomendada e em breve todos vão poder ver o projeto do cavalinho finalizado. 







  




INSPIRAÇÃO ♥ CRIANÇAS E NATUREZA

    As crianças de hoje, especialmente aquelas que vivem em áreas urbanas, muitas vezes não têm a possibilidade de entrar em contacto direto com a natureza. As crianças adoram a natureza e sentem-se atraídas e fascinadas por tudo relacionado com ela. 

 [via Pinterest ]

    Desde os dois anos de idade que vivo num apartamento, o que diminuiu o contacto diário que tinha com animais. Lembro-me de querer um coelho, como animal de estimação. Queria trazer um coelho branquinho que a minha ama tinha no seu quintal. Cansava todos os dias os meus pais com promessas e juras de que o colocaria na caminha das minhas bonecas e que iria cuidar dele, sem lhes dar trabalho algum. Mas eles não foram nas minhas ideias, preferiram encher o meu quarto com peluches até ao teto, onde não faltava qualquer animal, nem mesmo os da selva. Felizmente, tinha a casa dos meus avós maternos e da minha ama, onde podia acompanhar o crescimento dos animais e brincar com eles. 







 [via Pinterest ]


     É difícil encontrar uma criança que não goste de animais, especialmente de cães, que se tornam, muitas das vezes, companheiros de grandes brincadeiras. Os pais, na impossibilidade de adquirem um animal doméstico, procuram brinquedos que transportam as crianças para esta realidade. Hoje, estou a trabalhar num projeto especial. Os pais do Marcos queriam oferece-lhe um cavalinho de madeira. Escolheram a Taraita para criar aquele que será o companheiro de infinitas brincadeiras com o seu filho. 
   



  



INSPIRAÇÃO ♥ O MELHOR DO MUNDO SÃO AS CRIANÇAS



     As crianças brincam com todos os elementos de mobiliário e decoração que os rodeiam: espelhos, prateleiras, gavetas, armários, cortinas, almofadas. Todas têm algum tipo de atração, o que muitas vezes escapa aos adultos, e servem-se deles como peças para as suas fantásticas aventuras e jogos imaginativos. As crianças brincam com os espaços da mesma forma que os gatos. Gostam de se esconder em lugares pequenos e acreditam estar fora do alcance visual dos adultos, e trepar para lugares altos onde podem observar sem ser observados.








[via Pinterest ]



IMPRESSÃO DIGITAL ♥


Os meus olhos são uns olhos.
E é com esses olhos uns
Que eu vejo no mundo escolhos
Onde outros com outros olhos,
Não vêem escolhos nenhuns.
Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem luto e dores
Uns outros descobrem cores
Do mais formoso matiz.
Nas ruas ou nas estradas
Onde passa tanta gente,
Uns vêem pedras pisadas,
Mas outros, gnomos e fadas
Num halo resplandecente.
Inútil seguir vizinhos,
Querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.
Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes.

ANTÓNIO GEDEÃO


vídeo elaborado para a defesa do projeto (RE)make no "Programa de Desenvolvimento de Competências em Gestão de Novos Negócios", na Universidade do Minho

     
     Cada pessoa tem a sua identidade, histórias, memórias e olhar. Cada um, com os seus olhos, vê o mundo à sua maneira e reage consoante as suas interpretações.

    O projeto TARAITA pretende recuperar mobiliário de uma forma criativa, através do "conto" de uma história que poderá ser a da peça, a do cliente com a peça ou algo que o inspire. Ouvir a história e dar-lhe corpo num móvel, que passará a ser mais do que um simples objeto e que terá o mesmo número de interpretações, do que o número de pares de olhos que o verá. Podemos encontrar estes móveis nos nossos sótãos, garagens ou podem ser aqueles que nos são especiais e aos quais atribuímos um significado próprio e nos remetem para uma memória especifica.


Os olhos da TARAITA são uns olhos.
Os vossos móveis são uns móveis.
As vossas histórias são umas histórias.
E é com esses olhos uns
Que a TARAITA vê no mundo as vossas histórias
Onde outros com outros olhos,
não vêem histórias nenhumas.
Quem diz histórias diz memórias.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem monos e monstros
A TARAITA descobre alma e amor


the best thing about memorias is (RE)making them ♥


"Antes de nós, tudo já foi escrito.
Temos de escrever as mesmas coisas;
porém, com palavras mais belas"
MADAME BOVARY 


  "Com a forte aceleração da sociedade atual, provocada pelo rápido desgaste das mensagens, em especial das visuais, assiste-se à perda de identidade pela vertigem das mudanças sucessivas. Os móveis são fabricados, de modo, a permanecerem poucos anos em casa o que leva a uma fragmentação da identidade na ausência de referências fixas ou sólidas.
   A saudade, as memórias, a identidade dos produtos do passado levam os criadores a procurarem esses valores, mas a estudarem novas formas para os manterem atuais. Acredita-se que os consumidores, de hoje, vão procurar agarrar-se a esses simbolismos, identificando-se com os novos produtos e querendo-os sem hesitar.
   É necessário encarar a mudança, existe cada vez mais a necessidade da procura e do reencontro com as memórias, as tradições e os sentimentos culturais, de modo a compensar a instabilidade e a descaracterização do universo artificial da atualidade.
  A renovação dos processos de significação da contemporaneidade são um claro exemplo desta perturbação. Outras soluções são válidas na quietude do produto português em que a simplicidade, a ecologia e a pureza do material provoca impacto e cria peças únicas aliando a perícia de velhos mestres artesãos com a tecnologia sofisticada e o preço.
   É muito importante no design contemporâneo, a criação de novas formas e ambientes, especialmente num mercado global, muitas vezes homogeneizado e desenraizado, a recriação torna-se essencial ganhando especial valor reinterpretando o potencial das técnicas artesãs. O artesão e o designer, juntos, aliados às novas tecnologias criam produtos inovadores e verdadeiramente artísticos.
   É assim que a (RE)make se diferencia, na sua capacidade de transformar tudo o que não se espera que seja arte, numa maneira sedutora e irónica de interpretar visualmente e simbolicamente as coisas, trabalhando com peças que não procuram ser novas, mas que procuram, sim, recuperar o seu percurso e evoluir através do design contemporâneo. Pretendem adaptar-se ao contexto geográfico e cultural, de modo, a serem de novo, funcionais.
   Assim, a identidade do produto estará sempre presente e a sua história continuará permanente." 



 


    No inicio deste ano participei num programa de desenvolvimento de competências em gestão de novos negócios, na Universidade do Minho, onde tive a oportunidade de desenvolver a minha ideia de negócio, juntamente com quatro grandes mulheres que apenas conheci no contexto da formação. Todas diferentes, mas com corações tão iguais, que foi fácil partilhar as espetativas que tinha. Durante um mês trabalhamos juntas no meu projeto, então designado por (RE)make, e construímos uma amizade que se prolonga no tempo, como se de uma amizade de anos se tratasse. Foi um prazer fazer parte do grupo onde nos enquadramos e uma sorte conhecer estas quatro mulheres que contribuíram e muito para o desenvolvimento da ideia. A todas elas o meu obrigado e continuação de boa sorte nos vossos projetos pessoas.




um beijo especial para a Maggie, Lídia, Cristiana e Suéli 

pelo sonho é que voamos ♥


    "É raro darmos pelo momento em que, ainda meninas, nos imaginamos a rodar um comprido vestido branco ou enquanto meninos já nos víamos a marcar um golo aplaudido internacionalmente...
    Lembro-me de ser pequenina e querer ser “quiteta”: adorava desenhar, fazer trabalhinhos com as mãos, criar e ver crescer... a obra!
    É raro, mesmo raro, encontrarmos alguém na vida que partilhe a nossa paixão... normalmente, quando acontece, chama-se amor! Foi o que aconteceu quando a nossa paixão se cruzou: nasceu em nós um amor por um sonho comum.
    O nosso sonho é simples e muito concretizável, como todos os sonhos que nos “aterrorizam”: o sucesso é alcançável, o falhanço é ainda mais temível, mas ao contrário do que diz o poeta António Gedeão, ainda não cansámos “os braços a pendurar estrelas no céu”. Demorámos algum tempo a tirar os calcanhares do chão, mas mantemo-nos em biquinhos de pés e assim vamos correr atrás do nosso sonho, aquele que nos faz acreditar que podemos ser aquilo que quisermos, ao encontro daquilo que somos e naquilo em que insistimos ser e fazer: termos o nosso cantinho de recuperação, de regeneração de mobiliário e espaços com uma linguagem própria, simples e personalizada, onde paira o cheirinho a tinta e onde passamos o dia a tornar a vida dos outros mais bonita, dando primazia ao trabalho manual, e onde pomos quanto somos no mínimo que fazemos." pERSOnaliza 


    Este texto foi escrito por mim e pela Sofia em março de 2013. Quando falo do projeto tenho, inevitavelmente, de falar DhELA. Este sonho sempre foi partilhado pelas duas e voamos juntas por ele. A sensação que hoje temos é que voltaremos a nos encontrar, em breve, naquele cantinho onde paira o cheirinho a tinta. A Sofia abraçou outro projeto, mas sempre esteve atenta ao nosso menino. Este projeto é meu, mas também DhELA. É nosso e resultado de todas as nossas espetativas que se vão tornando realidade.
    De março de 2013 até ao dia de hoje já muito evoluiu a nossa ideia. No inicio o nome do projeto era pERSOnaliza [bem, para chegarmos a um consenso sobre o nome final do projeto demorou meses], mas a essência do nosso sonho continua igual, não poderia ser de outra maneira. Desde o começo, já (re)começamos não sei quantas vezes. Nem sempre foi fácil. Voltamos a estudar. Analisar. Avaliar. Medir. Concorremos a diversos programas de empreendedorismo e fomos selecionadas para todos. Participamos e aprendemos. Predemos medos. Tornamo-nos mais fortes. Conhecemos pessoas. Clientes. Parceiros. E até concorrentes. Hoje o SOnho está mais próximo da REalidade. E dele passaram a fazer parte outras pessoas, das quais falarei outro dia.

um beijo especial à Sofia, obrigado 







feliz dia dos avós ♥


É do avô a cadeira. A cadeira que o avô guardava no sótão, mas que outrora serviu a família, por si só numerosa. Numerosas as vezes que a cadeira foi emprestada para festas da freguesia, tendo o avô cuidado de a assinar para ter a certeza lhe a traziam de volta. Já lá vai tanto tempo. Tempo em que o avô guardava os rios. Profissão como tantas outras já extintas, mas pela qual o avô tinha paixão. Paixão essa que ainda hoje se reflete na cor dos seus bonitos olhos.

Para a neta a cadeira significa apoio (pernas), colo (assento) e ombro amigo (costas).

O avô é meu. É meu e de muitos mais netos. Mas o avó é único, só conheci um e ele pegava em mim como ninguém... lembro-me de correr à volta da sua casa com receio de me magoar nas paredes tão ásperas, mas queria acha-lo lá atrás bem no fundo do quintal, entre todas aquelas couves de metros! Queria que ele me pegasse e me lançasse ao ar... nesse momento eu crescia, era livre e sentia-me feliz. Mas felicidade era quando ao domingo conseguia ser das primeiras netas a chegar à sua casa, para passear com ele na sua mota... eram minutos que se tornavam horas, eram ruas que passavam a ser corredores só nossos!

E nossa também é hoje esta cadeira, que tendo parte dos dois conta a nossa história.


 amo-te avô 30mil vezes mais 

  

     A cadeira do avô foi o meu primeiro projeto. Quem conhece a Taraita conhece a cadeira azul e, provavelmente, a nossa história. Hoje, por se celebrar o dia dos avôs, partilho convosco uma mini sessão fotográfica que fiz com o meu avô ontem. Não se sentiu à vontade de início, mas lá alinhou nas "coisas estranhas" que a neta pensa e insiste em fazer. Sempre fomos assim, a segurança de um puxa pelo outro. Quando escolhi a nossa história e a sua cadeira, foi fácil passar para o papel todas as coisas que aprendi com ele. A nossa proximidade é divertida e já perdemos a conta de quantas caras estranhas conseguimos fazer um ao outro. Mas no fim, as suas palavras são sempre sábias e marcam a cada despedida. No nosso coração estará para sempre gravado "30 mil vezes mais".


    Um feliz dia dos avós para todos.

 Eu sou uma privilegia pois ainda tenho todos aqueles que conheci. ♥



Põe quanto és no mínimo que fazes ♥



Para ser grande, sê inteiro: nada 
Teu exagera ou exclui. 
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és 
No mínimo que fazes. 
Assim em cada lago a lua toda 
Brilha, porque alta vive.
Ricardo Reis, in "Odes" 


    "Põe quanto és no mínimo que fazes" é a máxima do meu coração. O ser inteiro para ser grande sempre me fascinou. Desde pequena que sou assim. Embora continue pequena [fisicamente falando], sou grande por ser inteira e de nada em mim excluir.
    Este projeto tem tanto de mim que até o nosso nome se confunde. Taraita é o nome do projeto e nome de família. Alguma vez, nos meus sonhos de menina, pensei que um dia teria o meu projeto e que nele ponha quanto sou, ao ponto de lhe dar o meu/nosso nome. Sim também é nosso. Porque para ser inteiro não sou um só. Sou muitos. Sou aqueles que me amam, que me ajudam, apoiam e me dão conforto em horas menos boas [mas desses falarei outro dia]. Eu sou a Taraita e este diário é um desafio, no qual poderás fazer parte com a tua história, pois só assim, com o coração todo, brilhará mais alto este projeto.